Janela de Oportunidade

Brasil vive período conhecido como bônus demográfico, no qual a população ativa é maior do que o contingente de crianças e idosos. Esse fenômeno pode se traduzir em aumento das taxas de poupança e de produtividade, mas também impõe desafios nos campos da Previdência, da economia, da educação e dos recursos humanos.

 

Muito se fala sobre as consequências de uma população predominantemente idosa entre 30 ou 40 anos, mas, agora, vivemos o fenômeno dos “trintões”, que é a faixa etária mais produtiva e consumidora. Os adultos entre 30 e 34 anos tornaram-se, em 2014, o segmento majoritário no Brasil. Até 2018, a faixa etária de 30 a 39 anos será a maioria da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso exige planejamento para que o País aproveite esse bônus demográfico e se prepare para o envelhecimento futuro, que demandará estoque econômico suficiente para dar conta de milhões de aposentados.

Atualmente, a faixa de 30 a 39 anos representa 16,4% da população total - ou 22,4 milhões de brasileiros. Apesar de não ser a maioria, essa camada é a maior entre todas as outras e tece o crescimento intensificado entre 2000 e 2010: enquanto a população brasileira aumentou 12% nesse período, a faixa dos 30 anos cresceu 16,5%. Uma população com esse perfil significa que, proporcionalmente, há mais gente produzindo do que pessoas dependentes desse grupo. Os resultados podem revelar o crescimento econômico e o aumento da renda média da população, mas é preciso pensar no longo prazo, afinal, os trintões vão envelhecer. Segundo o IBGE, em 2050, cerca de 30% da população terá mais de 60 anos e a faixa entre zero e 14 anos representará apenas 14% do contingente. “São necessárias medidas para que a Previdência Social não dependa apenas da alta de impostos para se manter. Caso contrário, o governo não terá como pagar esses futuros aposentados, pois não haverá população ativa para sustentar a Previdência”, aponta o assessor  técnico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Fábio Pina.

O fato é que, em poucos anos, a maioria da população dos Pais será economicamente ativa, gerando impacto na economia em geral, pela movimentação que o consumo de bens e serviços gera; no mercado de trabalho, pela grande oferta de mão de obra, nas previdências pública e privada, pelo aumento da arrecadação; e no mundo corporativo, já que essa parceria da população conta com profissionais experientes e que estão no auge da produtividade.

 

POTENCIA ECONÔMICA

A estrutura etária atual da população brasileira, que será a mesma durante os próximos 20 anos, chama-se “bônus demográfico”- quando há menos crianças, poucos idosos e proporcionalmente mais pessoas em idade produtiva. Aproveitar esse momento é o desafio do Brasil. Segundo o diretor da consultoria Vecchi Ancona, Paulo Ancona Lopez, a tendência é que se tenha um país economicamente mais acelerado e mais produtivo com os trintões. “Mas não devemos esquecer que a economia não se faz somente com vontade. É preciso infraestrutura, leis, normas e condições políticas e financeiras para se aproveitar, de fato, esse potencial”, aponta. Essas condições ainda não existem e, na avaliação de Lopez, o Brasil já deixou passar uma série de oportunidades nos últimos anos, quando foi alvo preferido dos investidores internacionais. “Caso o País retorne a trajetória de crescimento e volte a atrair capital nacional e estrangeiro, teremos condições para fazer bom uso dessa mão de obra. Do contrário, dependeremos do espírito empreendedor desta geração, o que é pouco para haver uma grande diferença na economia”, afirma Lopez.

O grande trunfo para aquecer a economia brasileira é o consumo doméstico. O perfil do consumidor trintão, porém, é diferente daquele que emergiu para a classe C, teve acesso ao crédito e passou a comprar bens duráveis, que têm sido o motor da economia nos últimos dez anos. Os brasileiros ativos estão mais interessados na experiência de compra (que conta com atendimento diferenciado e personalizado) e na relação custo/benefício dos produtos do que na aquisição de supérfluos.

Pesquisa realizada no ano passado com 1.245 brasileiros, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz, registrou que 31% da população economicamente ativa (44,8 milhões de consumidores) buscam custo/benefício, compram apenas o necessário, pesquisam preços, controlam os impulsos consumistas, pensam no futuro e poupam mais.

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DISPONIBILIDADE E PRODUTIVIDADE

A faixa etária dos 30 aos 39 anos é a mais produtiva, conta com razoável experiência profissional de mercado, goza de boa saúde e está à disposição para o trabalho. Garantir que essas pessoas tenham qualificação exigida pelo mercado é o grande desafio que se coloca ao Brasil. “No cenário de recessão e aperto fiscal esperado para os próximos dois anos é provável que tenham mais trintões desempregados em razão da diminuição do mercado de trabalho e da baixa capacitação, do que contribuindo para o crescimento do PIB. A falta de acesso ao ensino de qualidade, do primário ao superior, passando pelo técnico, provoca fenômenos em cadeia. A dificuldade para o preenchimento de cargos de especialistas leva o mercado a investir em negócios que exijam baixa capacitação, gerando mais commodities e afetando a balança comercial e a economia do País”, afirma Lopez.

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