É hora de arrumar a própria casa

March 3, 2016

Em três anos, a Resolve Franchising, do paulista David Pinto, chegou a um faturamento anual de 350 milhões de reais, mas com a piora na economia as rachaduras no modelo de negócios começaram a aparecer. Empreendedores como ele ainda resiste – mas vão de ter de se adaptar ao novo momento.

 

A cidade de São José do Rio Preto, a 44 km de São Paulo, seria uma forte candidata ao posto de capital nacional das franquias, caso houvesse uma disputa por esse título. Lá ficam as sedes de 67 empresas desse tipo. É como se um em cada 8500 rio-pretenses fosse dono de uma marca - a maior concentração de franqueadores por habitante entre as 20 cidades que mais abrigam redes de franquias no país. O administrador David Pinto, de 30 anos, é um expoente da atual geração de empreendedores com base na cidade. A Resolve Franchising, fundada por ele há pouco mais de quatro anos, já ultrapassou a marca de 500 franqueados no Brasil, na Colômbia e no México. Sob seu controle estão três redes de franquias - a Doutor Resolve, de reparos e reformas, o Instituto de Construção que dá cursos de capacitação para quem trabalha na construção civil, a e Dona Resolve, de limpeza doméstica. Juntas elas faturaram 350 milhões de reais em 2014.

David começou a se tornar conhecido em 2011, quando frequentava com assiduidade programas de televisão populares, como o do Ratinho, no SBT, e o do Gugu, na Record. Nas aparições, falava maravilhas sobre a Doutor Resolve, que acabara de ser lançada. Estima-se que, no início da rede, ele tenha investido algo em torno de 2 milhões de reais em publicidade. (...) Houve uma proliferação de redes especializadas nesse tipo de serviço. Em 2012, o número de microfranquias de reparos e reformas tinha triplicado em relação a 2009. Foi nesse cenário que a rede de David decolou.

De um ano para cá, porém, a Resolve Franchising vem dando sinais de estagnação. As receitas da rede em 2014 não cresceram em relação a 2013 – ainda que o número de franqueados tenha aumentado. O faturamento médio por franqueado caiu em duas das três marcas do grupo. Só na Doutor Resolve, que representa 60% das vendas, a queda foi de quase 50% de 2013 a 2014. Ao mesmo tempo, o número de clientes atendidos aumentou – ou seja, o tíquete médio diminuiu.

O que está acontecendo? Parte da situação atual se deve ao fraco desempenho econômico.

(...)

A piora no cenário não ajuda nada - e expõe fragilidades do modelo de negócios das redes de microfranquias como as da Resolve. Administrar um negócio num mercado em que as receitas caem e as margens de lucro encolhem não é fácil para ninguém - mas é uma situação ainda mais complicada para um franqueado com pouca experiência em gestão. E esse é o perfil de boa parte dos donos de microfranquias que é como especialistas chamam as unidades de baixo investimento que têm se tornado cada vez mais populares no Brasil. Nove em cada dez franqueados da Doutor Resolve estão administrando seu próprio negócio. No ano passado70% das unidades vendidas tiveram a taxa de franquia parcelada em até cinco prestações. Atualmente uma unidade da Doutor Resolve sai em torno de 50.000 reais. “É um perfil de franqueado com muita vontade de empreender, mas sem capital e maturidade para passar por um momento difícil como o atual” afirma Paulo Ancona Lopez, da consultoria Vecchi Ancona, especializada em expansão de redes. (...)

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