Empreender em meio à crise pode ser mesmo um bom negócio?

March 3, 2016

Muitos profissionais enxergam nas franquias uma oportunidade para gerar renda, mesmo em um cenário recessivo. Mas é preciso ter cuidado para não correr riscos.

 

Após 18 anos como empregado, João Paulo vai usar o dinheiro da rescisão para diversificar “na vida”. O casal Frugis, por sua vez, busca uma segunda fonte de renda, já que um dos cônjuges está há cinco anos fora do mercado de trabalho.

O autônomo Alexei decidiu usar sua “antiga reserva para eventuais problemas” para investir em uma nova oportunidade de ganhar dinheiro. Já as irmãs Aline e Brunella querem ampliar os negócios para se tornar “um ponto fora da curva”  da recessão.

Um público de perfis diversificados- mas no fundo, com o mesmo objetivo – lotou os corredores da Expo Center Norte na última edição da 24ª ABF Franchising Expo. Realizada na última semana de junho na capital paulista, a feira recebeu mais de 64 mil visitantes e contou com 480 marcas expositoras nacionais e internacionais.

É fácil entender a razão. O segmento de franquias, que prevê repetir o crescimento de 7,7% em 2015, tem sido um dos mais procurados para investir e gerar renda neste complicado cenário econômico. De acordo com o levantamento recente da Endeavor Brasil, três de cada quatro profissionais entrevistados dizem que preferem empreender.

(...)

 

O SONHO DE CADA UM 

Na mesma empresa desde os 17 anos, o analista financeiro João Paulo de Faria, 35, demitiu-se há um mês. Acompanhado do amigo e futuro sócio, o advogado Leandro Prestes, Faria se interessou por franquias voltadas ao público infantil, como roupas ou máquinas de brinquedos da Mr.Kids, daquele formato estabelecido em supermercados e postos de gasolina. “Sempre tive o sonho de empreender, só não tinha coragem. Mas precisava ‘diversificar na vida’, então decidi usar a recisão para investir em franquias. Me pareceu o melhor negócio, pois já nasce forte”, acredita. Prestes, que decidiu embarcar no sonho do amigo, concorda:  “Franquia é um negócio consolidado, muitas marcas se vendem por si. Em um cenário econômico duvidoso, permite apostar em nossa força de trabalho para continuar a ganhar dinheiro.”

Mesmo sem interesse específico por algum segmento, o casal de advogados Ana Paula e Antônio Carlos Frugis andava pela ABF Expo à procura de uma segunda fonte de renda. Com gêmeos de cinco anos, a advogada havia deixado a antiga empresa após 12 anos para cuidar dos filhos.

Quando saiu, guardou o dinheiro para futuro investimento. Agora, o casal decidiu que era hora de usá-lo. “Se ela voltar para o mercado, não terá uma remuneração compatível com sua experiência. Melhor arriscar assim”, afirma Antônio Carlos, hoje sócio de uma empresa de advocacia.

Ana Paula diz que está à procura de algo promissor, mas com menor risco. “Sempre tive sonho de empreender. Mas com a crise, é interessante ter uma estrutura por trás.”

Ana Vecchi, diretora da Vecchi Ancona Consultoria, afirma que, por duas vezes em que o mercado parou por conta de crises, nos anos 90 e após 2008, houve um grande crescimento do franchising.

Isso porque, muitos profissionais com bom histórico de carreira apostaram no sistema por refletir menor risco. Além disso, esses analistas e executivos podem agregar sua experiência ao negócio.

“É necessário ressaltar, porém, que se a transferência de know how possibilita o sucesso, por si não o garante. É preciso aprender a operar o negócio para adquirir experiência em um setor onde se pode ou não tê-la”, afirma.

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