Para fugir da violência, carioca abre franquia com arroz e feijão nos EUA

March 3, 2016

Para fugir da violência do Rio de Janeiro, o empresário Eduardo Santa Maria, 55, decidiu abrir uma franquia do restaurante Giraffas em Miami (EUA). Instalado em um bairro distante dos pontos turísticos, ele diz que seus clientes são, na maioria, americanos e latinos residentes nos EUA.

O prato de mais sucesso é a picanha com arroz, feijão e farofa, com um bife, que custa US$ 8,99 (cerca de R$ 32), e com dois bifes, a US$ 14,99 (R$ 54).

Com experiência de 20 anos como franqueado de uma rede de fast-food no Brasil, Santa Maria diz que há cerca de dois anos procurava oportunidades para empreender fora do país.

"Tenho dois filhos pequenos e me preocupo com a questão da segurança, que é complicada no Rio de Janeiro. Escolhi os EUA como destino e saí do Brasil para montar a franquia lá", diz. Ele esteve no Brasil para participar da ABF Franchising Expo, em junho. Ele não passou por episódios de violência.

Há oito meses, o franqueado se estabeleceu com a família no novo país. O restaurante foi inaugurado em abril. Ele não divulga o investimento inicial nem o faturamento obtido até agora, mas afirma estar satisfeito com os resultados e pretende abrir outra unidade também em Miami até o final do ano.

Para atrair clientes, aposta em ações de marketing local, como divulgação em escolas e igrejas. As matérias-primas são norte-americanas, com exceção do pão de queijo, do refrigerante de guaraná e da cerveja brasileira, que são importados do Brasil.

Santa Maria diz que não nota muitas diferenças entre tocar uma franquia no Brasil ou nos EUA. "Negócios são feitos de pessoas. Basta treiná-las bem para que as coisas funcionem. Minha experiência anterior como franqueado ajuda nessa tarefa, porque é muito difícil lidar com gente", diz.

 

Modelo de negócio é diferente nos EUA

Unidade do Giraffas em North Miami, EUA; marca tem 10 restaurantes no país

Apesar de pretender levar a experiência brasileira para os EUA, não há funcionários brasileiros ou que falem português na equipe. O conceito adotado pelo Giraffas no exterior também é diferente do brasileiro. No Brasil, a rede atua como fast-food, enquanto nos EUA usa o "fast casual". O pedido é feito no balcão, mas há serviço de mesa para entrega e retirada dos pratos.

Eduardo Guerra, diretor de expansão do Giraffas, diz que a empresa optou por esse modelo para evitar bater de frente com as grandes redes de fast-food americanas. "O 'fast casual' une a agilidade do fast-food a um ambiente mais aconchegante e com serviço em mesa. É um segmento em crescimento nos EUA. A hospitalidade típica brasileira é um trunfo para concorrer com as redes locais."

A rede está nos EUA desde 2011 e possui 10 unidades na Flórida, sendo duas em Orlando e as demais na região da grande Miami. A expectativa é chegar a 150 restaurantes em solo americano até o final de 2020. O investimento inicial é a partir de US$ 250 mil (R$ 872 mil no câmbio atual) para praças de alimentação e de US$ 500 mil (R$ 1,7 milhão no câmbio atual) para lojas de rua.

 

Marca pode demorar a se fixar em outro país

Paulo Ancona, da consultoria especializada em franquias Vecchi Ancona, diz que levar marcas brasileiras para outros países é desafiador e exige muito estudo: dos hábitos de consumo do público-alvo, da melhor localização, do modelo de negócio mais adequado, das regras contábeis, jurídicas e trabalhista, entre outros.

"Esses estudos podem apontar as adaptações necessárias, seja no produto ou no modelo de negócio", afirma.

Ele diz que ir para o exterior focado apenas no público brasileiro no local é um erro, pois limita o crescimento. Quem vai empreender fora do país precisa redobrar o cuidado ao escolher a rede, priorizando aquelas que já têm experiência no local onde pretende atuar, e ao avaliar sua própria capacidade de gerir o negócio.

"O empresário tem que estar muito seguro das informações que possui, da sua capacidade de gerenciamento e do seu fôlego financeiro. Ele precisa ter capital suficiente para resistir no mercado até a marca se fixar, o que pode levar tempo."

Dificuldades como desconhecimento do mercado estrangeiro, características culturais, idioma estranho e a importação de produtos também são desafios.

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