Produtos infantis, negócios de gente grande

Foto: João Vecchi

 

Dificuldades enfrentadas por mães para oferecer artigos para seus filhos bebês dão origem a companhias de sucesso no segmento.

 

Foi durante a gravidez de sua segunda filha que Mariane Tichauer, que estava fazendo plano de negócios para empreender no setor de turismo, que surgiu a ideia de atuar na área de produtos infantis.

“Eu tinha dificuldades de comprar coisas bacanas aqui no Brasil. Os brinquedos e produtos tinham padrões preconcebidos para meninas e meninos – rosa e azul, por exemplo. Sem opção, a alternativa era ir para fora do País para fazer o enxoval.” Mariane conta que conversando com amigas em uma festa percebeu que elas compartilhavam o mesmo pensamento e que dali poderia nascer uma oportunidade de negócio. Surgiu, então a ideia da importadora de produtos infantis Itté.

O primeiro produto importado por ela, em 2009, foi um amassador de papinha de uma empresa inglesa. As 600 unidades compradas, com investimento de R$ 60 mil, foram etiquetadas e precificados na mesa da sala da casa, conta Mariane. Com produtos em mãos, ela foi oferecer para pequenas butiques que conhecia e que queriam adquirir produtos novos e diferentes artigos.

A partir de então, fez cursos para entender os trâmites de importação, começou a buscar novos produtos, montou um pequeno escritório, alugou um espaço para guardar o estoque e contratou uma empresa de logística para a distribuição.

“Comprava apenas produtos que eu usaria nas minhas filhas, eu fazia vendas por e-mail e por telefone, visitava clientes, emitia nota fiscal. No começo recebia ¼ de contêiner, passou para meio até o dia que recebi um contêiner inteiro e foi uma grande alegria” ,diz.

Hoje, recebe bimestralmente um contêiner com cerca de 15 mil unidades de pratinhos, garrafinhas de inox, squeeze e brinquedo. A empresa está sediada em Valinhos, onde Mariane mora e toca o negócio, com o mercado e mais sete funcionários. “Crescemos trabalhando com as pequenas butiques e quando fortificamos a marca chegamos às grandes, como a Fnac. O grande lojista dá volume, mas o pequeno trabalha a marca”, diz.

Mesmo diante da crise, ela diz que a empresa cresceu em faturamento em 2015, embora não diga valores. “Estamos investindo, não paramos de importar e nem de atender ao lojista. A crise vai passar e quando passar, estaremos abastecidos para atender o mercado” , diz.

Identificação : É preciso ficar atento ao mercado (de produtos para bebês e crianças) que movimenta R$ 50 bilhões por ano, com ou sem crise e cresce média de 12% e 13% ao ano (...). O setor de alimentação orgânica deve crescer cada vez mais.

A dificuldade de encontrar alimentos orgânicos para preparar a papinha da filha fez Maria Fernanda Rizzo, de 36 anos, fundar a empresa de alimentação orgânica infantil Empório da papinha, em 2009. “Quando tive minha filha, hoje com oito anos, queria dar a melhor alimentação para ela. Mas era muito difícil achar todos os ingredientes e ainda tinha de conciliar meu trabalho com cuidados com a minha filha. Foi quando eu pensei que poderia ter uma marca de alimentos orgânicos infantil para facilitar a vida das mães”, conta.

Ela conta que depois de ter percebido a oportunidade ficou um ano estudando sobre o assunto e o mercado. “Eu já comecei meu negócio acreditando no crescimento do Empório da papinha e na possibilidade em licenciar a marca”, diz.

Com investimento inicial de R$ 600 mil em maquinário, loja e cozinha, Maria Fernanda conta que o grande desafio na época foi mostrar às mães os benefícios da alimentação orgânica para crianças. Segundo ela, hoje já é mais fácil, porque as pessoas conhecem as vantagens desses produtos, embora ainda precise “educar” muitas clientes.

Em 2015, a marca faturou R$ 3,8 milhões e a expectativa é de fechar 2016 com um crescimento de 60%. Hoje os produtos Empório da Papinha são vendidos no varejo e também para empresas. O consumidor também tem acesso aos alimentos em pontos de vendas de parceiros. “Nossa estratégia é oferecer um produto de qualidade com todas as certificações necessária, como o registro ANVISA e o selo orgânico IBD Certificações (responsável pela certificação de produtos orgânicos).

Necessidade: A Alergoshop também surgiu da necessidade de uma mãe. No caso, de tratar a alergia da filha. “Começamos por causa de alergia da minha sobrinha, filha da minha sócia. Na época ela tinha quatro anos e era muito alérgica”, conta Julinha Lazaretti, sócia-diretora da Alergoshop.

Segundo ela, no início o compromisso era fazer produtos hipoalergênicos, mas foram percebendo que não era suficiente, pois muitas substâncias podiam desencadear alergias, mesmo nos produtos hipoalergênicos.

“Depois de pesquisar, encontraram 150 substâncias que não utilizamos nos produtos, que são comercializados em lojas físicas (14 franquias), e-commerce e distribuídos para farmácias e lojas especializadas”,

No varejo, tanto em lojas próprias quanto em franquias, a marca cresceu cerca de R$73,80% no faturamento no ano passado, de acordo com Julinha. No e-commerce, o aumento foi de 50%, enquanto as franquias cresceram 70% em faturamento.

“É um segmento que requer muita habilidade com o público, que no nosso caso são as mulheres. E não é um negócio de sazonalidade, tem crescimento orgânico , consistente” afirma a empresária.

A Alergoshop planeja abrir 15 unidades franqueadas em 2016 investir no desenvolvimento para crianças e adolescentes para lançar ainda este ano.

 

‘É um universo grande e há concorrência das grandes redes’

Consultora ressalta a importância de se fazer um plano detalhado para melhor aproveitar as oportunidades

Todo empreendedor precisa ter empatia e identificação com o negócio, diz a diretora da consultoria Vecchi Ancona, Inteligência Estratégica, Ana Vecchi. “Tem de conhecer o segmento e o público consumidor para traçar a estratégia do mercado”’, diz.

Ana observa que antes de investir em produtos infantis é preciso saber com qual faixa etária vai trabalhar. Ela lembra que a indústria do setor é gigantesca, por isso é preciso identificar o público, o produto a ser comercializado ou serviço prestado, o ponto (se for loja física) e a classe social que quer atingir.

“É fundamental ter um plano de negócio para analisar o mercado, conhecer a oferta e a demanda para saber se   produto ou serviço é atrativo. Conheça fornecedores e saiba o valor de investimento a ser feito, tempo para retorno, estoque e qual a estratégia de negócio: loja física, aplicativo, loja virtual”.

Para Ana, é preciso ter certeza de onde se quer entrar. “É um universo grande e detalhado que tem a concorrência de grandes redes . Se fizer um estudo, é possível se dar bem” ,analisa.

 

 

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