A Accor rumo ao interior.

July 15, 2016

 

É um hotel novo por dia no mundo, um total de 4.000 unidades distribuídas por 92 países, entre eles o Brasil, um dos seus cinco principais mercados. A francesa Accor,

 

a maior rede hoteleira do país, desembarcou por aqui há 40 anos. Até 1990, tinha apenas 22 hotéis. Cinco anos atrás, pouco mais de 100. Até que começou a acelerar. De 2010 para cá, inaugurou uma média de 20 hotéis por ano, nas mais diversas categorias, do supereconômico, com bandeira Ibis Budget, ao superluxo, sob a grife Sofitel. Já são 244 unidades.

 

A estratégia da companhia para continuar aumentando a rede mesmo na crise foi correr para o interior. A Accor direcionou seu foco para as cidades de pequeno e médio porte, com menos de 150.000 habitantes e carentes de hotelaria de qualidade. “Temos 150 hotéis em construção no país, que deverão ser concluídos até 2020”, afirma Patrick Mendes, presidente da Accor na América Latina. A meta é chegar a 500 hotéis na região nos próximos quatro anos, a maioria deles no Brasil, que já responde por 80% do total.

 

De acordo com Mendes, a decisão da Accor de investir na hotelaria econômica no Brasil é resultado de uma estratégia traçada há cinco anos. Embora seja um país continental, o Brasil tem apenas dez cidades que comportam um hotel de categoria superluxo, do porte de um Sofitel, mas tem muito mais de 100 que facilmente abrigam um Ibis. Entre elas, estão Igrejinha, no Rio Grande do Sul, com menos de 50.000 habitantes, e Arapiraca, em Alagoas.

 

O investimento para esse perfil de empreendimento também é bem menor. Enquanto 200 quartos Ibis exigem um aporte de 30 milhões de reais, o mesmo número de quartos com o padrão Sofitel consome cerca de 200 milhões de reais. “Estamos presentes em 92 cidades brasileiras e temos hotéis cinco estrelas apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos (por conta do aeroporto internacional), Florianópolis e Recife”, diz o executivo. “Nosso maior crescimento está nas cidades menores”.

 

O peso da crise

 

Hotelaria é um negócio de sangue frio, e para a Accor não é diferente. A empresa precisa investir hoje de olho no longo prazo, e ignorar os dados ruins no seu balanço e na economia brasileira. Em 2015, o volume de negócios no país teve queda de 5,8% em relação a 2014. O faturamento por quarto recuou 5,8% no Brasil e 8,3% na América do Sul. A taxa de ocupação, de 62%, é acima da média brasileira de 52%, mas ainda pode melhorar muito. “A crise é temporária, quando passar o Brasil voltará a crescer. Já foi assim no passado, e queremos estar preparados”, Mendes.

 

No interior, a crise tem até ajudado. Muitos hotéis familiares estão em apuros, e aceitam sentar para conversar com a Accor, o que não acontecia nos anos bons. Assim, a Accor consegue crescer colocando sua marca e reformando hotéis já em funcionamento, o que acelera muito a expansão. Em poucos meses, é possível reabrir um hotel. Nos moldes tradicionais, um hotel leva em média 4,5 anos para começar a operar, desde a assinatura do contrato até a inauguração.

 

Para Ana Vecchi, da Vecchi Ancona Consult, a hotelaria é um segmento interessante para o universo de franquia, a principal fonte de expansão de redes como a Accor. “O grande desafio no momento atual é buscar grandes áreas e capital disponível”, afirma. “Daí a conversão ser um caminho interessante para garantir a expansão”.

 

Parece simples, mas o problema é que também é simples para a concorrência. Presente em 44 cidades, com mais de 85 hotéis em atividade, a Atlântida Hotels chegou a duas novas cidades em 2015 – Santos e Rio Branco – e anunciou a entrada de duas novas marcas no país, a Radisson Blue e Radisson Red. A estratégia de expansão para 2016 passa pelo modelo de conversão para uma de suas 12 bandeiras, além da ampliação da carteira em todas as regiões com a marca Hilton Garden Inn, considerada de médio-alto padrão.

 

A Accor também tem expandido sua variedade de bandeiras com o lançamento da linha styles, cujos hotéis têm decoração temática. O Ibis Style Ribeirão Preto, por exemplo, tem a decoração inspirada na indústria cervejeira, uma força da economia local. A empresa jura que faz sentido.

 

Mas há outras apostas, essas sim, com capacidade de mudar a cara do negócio e bater de frente com sites de locação residencial, como o Airbnb, que crescem em cidades de todos os tamanhos, ou com a profusão de hostels, que crescem sobretudo em grandes cidades. No Rio, a Accor colocou em operação o seu primeiro hotel com oferta de quartos compartilhados, onde se paga 49 pela cama por dia. São três quartos, com oito camas cada, sendo um exclusivamente feminino e os outros dois mistos. Em paralelo, a Accor investe em seu programa de relacionamento, o Le Club AccorHotels. São 25 milhões de usuários no mundo, 2,6 milhões de membros no Brasil – 30% a mais que no ano anterior. A meta é conhecer melhor cada cliente e suas preferências de tipos de hospedagem e destino. Seja ele São Paulo, ou Igrejinha.

 

(Katia Simões)                                      

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