Praticidade na mesa

August 26, 2016

 Enquanto a indústria lança novos produtos no mercado, distribuidor precisa otimizar custos e oferecer serviços de qualidade para melhorar vendas da categoria.

 

Desde a década de 1980, a categoria de alimentos congelados passou a ser cada vez mais comum no cardápio dos brasileiros, principalmente nas famílias de classe média e alta e em regiões onde é mais intensa a participação das mulheres no mercado de trabalho. De acordo com o estudo “Consumer Watch Express Shopper” realizada pela Kantar WorldPanel, 61% dos compradores  brasileiros optam pelo consumo de pratos congelados. E as pesquisas também indicam que, além disso, os consumidores estão mais exigentes e querem que, além de prático e saboroso, o alimento seja saudável.

 

Para a consultora Ana Vecchi, da Vecchi Ancona Consulting, esse mercado cresce na proporção em que o ritmo de vida das pessoas se intensifica. Por isso, como também  está aumentando o número de pessoas que moram sozinhas, e que por isso mesmo têm necessidade cada vez maior de buscar conveniência, as vendas de produtos prontos ou semiprontos também está aumentando.

 

“O que se procura cada vez mais é a variedade de itens alimentícios semelhantes aos elaborados de forma caseira, aliados a propostas  de oferecer alimentação mais saudável. Também observamos o suprimento da demanda de orgânicos e produtos livres de glúten e de lacto, ou seja, está se cobrando as indústrias para que respondam a essas exigências do consumidor e passem a oferecer produtos que efetivamente alimentem e cuidem da saúde”, explica Vecchi.

 

As indústrias já perceberam esse movimento de consumo e estão fabricando produtos voltados para essas necessidades. Por exemplo, a empresa Barbosa & Marques, fabricantes dos produtos Regina, percebeu um aumento das vendas da manteiga, resultante da redução do consumo de margarina, que perde mercado à medida que a população toma conhecimento dos malefícios da “gordura trans”.

 

Refrigerados

 

Segundo Marcos Rocha, representante da empresa, o foco da Regina sempre foi oferecer produtos de qualidade. “É muito difícil conseguir desenvolver essa cultura em uma empresa. Mais difícil ainda é conseguir o reconhecimento do mercado. Neste, há inúmeras oportunidades e consumidores sensíveis a todas delas”, declara. Foi por isso que a empresa lançou uma linha zero lactose, composta por  Queijo Tipo Cotagge, Creme de Leite e Leite Semidesnatado, pois estava atenta às necessidades do público intolerante a esse componente.

 

De olho nesse movimento do mercado que busca a salubridade, a Distribuidora Catarinense investiu em produtos congelados, de marca própria, a Sefsy, a qual apresenta uma linha com o sabor Açaí Cremoso com Frutas. “Começamos o planejamento dessa marca em 2007 e vimos que havia possibilidade para lançá-la no mercado. Resolvemos investir e nos especializar mesmo que a princípio fosse oneroso, pois vimos que para ter qualidade era preciso fazer isso”, diz Joice Catarina Sabatke, diretora de Marketing e Vendas da Catarinense Congelados.

 

Segundo ela, um dos fatores cuja importância foi destacada pela empresa  é a sinergia entre os produtos que ela distribui, que são todos congelados e não somente resfriados, pois todo processo envolvido exige custo a fim de se manter a temperatura correta de todos os produtos, do transporte ao armazenamento, o que influencia diretamente a qualidade dos mesmos.

 

Joice também revela que outro mercado em ascensão no Brasil é o de sorvetes. Pensando nisso, muitas empresas vêm investindo em novos sabores desse produto. Uma delas é a Nestlé, de cujos sorvetes a Catarinense é a distribuidora exclusiva.Em abril deste ano, a empresa anunciou junto com a R&R a criação da Froneri , uma joint venture com sede no Reino Unido, a qual combinará as atividades da Nestlé com as da R&R no segmento de sorvetes, inclusive no Brasil. A Catarinense espera obter um aumento de suas vendas com esse novo negócio da Nestlé.

 

Desafios e oportunidades

 

O primeiro grande desafio enfrentado por quem opera com refrigerados e congelados é de conseguir lidar adequadamente com os custos da operação. De acordo com o consultor Jean Pontara, sócio-diretor da JPontara, em relação aos equipamentos, são necessárias câmaras frias, docas climatizadas e caminhões com duas ou três temperaturas. “Uma pequena operação de distribuição de frios custaria, só na infraestrutura, pelo menos, 600 mil reais que é, no mínimo, três vezes superior a uma operação de carga seca. Esses altos investimentos e altos custos de operação restringem o número de distribuidores que operam com cargas frias”, revela.

 

O grupo KarneKeijo, por exemplo, trabalha com duas categorias, congelados e secos. Segundo Inácio Miranda Júnior, diretor da empresa, as margens dos produtos secos têm sido maiores ultimamente. Com 37 anos de experiência no mercado, ele diz que a empresa dribla as dificuldades em meio a um mercado que está mais retraído nas regiões onde atua (Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte). As oportunidades da empresa no segmento de congelados e refrigerados têm se evidenciado nas vendas para o pequeno varejo e, para isso, é preciso atender bem o cliente.

 

A consultora Ana Vecchi diz que, em geral, as dificuldades maiores que esse setor enfrenta estão relacionadas às condições de logística, de conservação de estoques em ambientes controlados e de risco de quedas, energia elétrica, o que exige um backup de geradores. Em resumo, o trabalho com refrigeradores requer uma infraestrutura maior e mais especializada do que a necessária para o transporte de volume equivalente não refrigerado bem como processos e controles mais precisos e cuidadosos que só são atingidos por empresas de distribuição e por logística bem estruturadas.

 

Para Vecchi, os distribuidores podem desempenhar papéis mais importantes do que o de simples entregadores: podem ajudar na indicação de novos fornecedores que sejam adequados a cada cliente, podem programar entregas e lotes de modo a não onerar demais os custos de estoque de seus clientes e podem orientar as melhores formas de programações de entregas e até de armazenamentos.

 

A definição do mix de produtos é um passo importante . "Sugerimos que o distribuidor sempre inicie com itens que tenham grande volume de vendas e que construa uma carteira baseada nesses itens. Assim que tivermos uma boa ocupação de cargas e uma positivação alta de diversos itens de diversas fábricas em um mesmo cliente, é importante aumentar o mix com itens de menor volume e que tenham mais valor agregado e mais margem”, explica Pontara.

 

Outro tema importante a ser tratado é o chamado FIFO (first in first out, que quer dizer o primeiro (produto) a entrar no armazém deve ser também o primeiro a sair, por isso evita a perda por vencimento do prazo de validade da mercadoria). Para isso, o estoque precisa estar muito bem controlado, pois um erro na expedição de produtos pode causar um grande prejuízo no negócio, por exemplo, expedindo produtos com prazo de validade maior e deixando os de prazos de validade menores vencendo no estoque. “Operar com Frio+ (resfriado) e Frio- (congelado) em carros com duas ou três temperaturas pode ajudar tanto na otimização de cargas para o distribuidor como na otimização dos processos de compras pelo comprador”, diz ele.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Categorias

Please reload

Newsletter

Redes Sociais

  • Facebook
  • Linkedin
  • Youtube
  • Instagram

Posts Recentes

Please reload

Copyright © 2018 Ancona Consultoria. Todos os direitos reservados.
  • White LinkedIn Icon
  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
  • White YouTube Icon