Mulheres do ABCD levam dinamismo e criatividade aos negócios

March 9, 2017

 

Machismo no mundo do trabalho e dupla jornada, entretanto, ainda são desafios.

Com maior capacidade de diálogo e criatividade para dar conta da vida profissional e ao mesmo tempo, da vida familiar. É assim que mulheres atuantes no mundo dos negócios do ABCD definem o papel feminino em espaços no qual os homens tradicionalmente possuem mais vantagens e são vistos como melhores. A reportagem do ABCD Maior conversou com algumas delas por conta do Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira (08/03). De acordo com números da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos), as mulheres representavam 53,2% dos trabalhadores da Região no ano passado, uma ligeira maioria.

Juliana Páffaro, antigamente trabalhadora na área de moda, é responsável há quase dois anos por unidade franqueada do restaurante Mania de Churrasco no Grand Plaza Shopping, em Santo André, após ter feito curso de culinária e se apaixonado pela arte do preparo do churrasco. “Identifiquei-me com a administração da fraqueadora, apesar de ela ser de homens. Eles têm a preocupação de colocar as mulheres na administração das franquias. As mulheres têm características que geram gestão mais humana, intuitiva e versátil”, defende.

Para a franqueadora, o diálogo é um fator importante na administração dos negócios, algo que a mulher tem facilidade. “Tem visão do cuidado com o cliente e o diálogo com a equipe. Cada mulher tem a sua diferença, assim como o homem. Um negócio é feito de talentos”, afirma.

“A mulher é mais coração e sabe administrar na conversa, lidar com cada uma (funcionária), ela tem isso de dialogar”, defende também Sandra Cancian, 46, dona do salão de beleza feminino Studio Nerci, em São Bernardo, que abriu com a sua mãe há 20 anos. Ela atua já, ao contrário de Juliana, em área tradicionalmente mais ligada às mulheres. “Na minha área de beleza, eu consigo entender o que elas querem”, afirma.

Outra diferença na atuação da mulher no mercado de trabalho é o fato de elas, muitas vezes, fazerem dupla jornada ao terem de cuidar de suas casas e da família, papel tradicionalmente atribuído a elas mesmo com a entrada da mulher nos negócios. Isso exige que se seja diferente na hora de empreender. “As mulheres se diferenciam na questão da criatividade e do dinamismo que nem sempre se consegue ver no empreendedorismo masculino”, afirma a advogada Adriana Oliveira, 30, uma das organizadoras do grupo Empreendedoras do ABCD que deve se reunir pela primeira vez em São Caetano no final do mês. “Como as mulheres tendem a ter vários papéis para desempenhar ao mesmo tempo, aí vem a questão da criatividade”, afirma.

Desigualdade e discriminação

Para Ana Vecchi, sócia-diretora da consultoria de mercado de trabalho Vecchi Ancona, isto acontece por conta de a mulher ter hoje de ser “multitarefa”, seja no mundo corporativo, uma franqueada, empreendedora ou empresária o que não é, exatamente, algo a se comemorar. “Existe todo um histórico da mulher entrando no mercado em que se divide o homem e a mulher no Dia Internacional da Mulher, mas não vejo a mulher vencedora. Vejo a mulher muito exigida socialmente e profissionalmente”, afirma.

Para ela, uma minoria ainda dos homens se ocupa das atividades domésticas, que ainda ficam no encargo das mulheres que entraram para os negócios e são tão demandadas como eles. Ao mesmo tempo, elas ainda sentem a discriminação. “Existe ainda certa discriminação nos salários e o mercado ainda é machista com certas piadas. As empresas ainda se apresentam de forma arcaica. Uma minoria se posiciona de um jeito melhor não só na questão de gênero, como em outras questões”, afirma.

Para ela, também é preciso estar atento aos novos tempos que as mulheres não exatamente planejam ter filhos, por exemplo. “As empresas se comportam aquém do mundo contemporâneo”, critica.

De acordo com números da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o rendimento médio das mulheres no ABCD, em 2015, era de R$ 1.789 contra R$ 2.512 para os homens. Entretanto, a jornada de trabalho média delas (42 horas) era superior ao dos homens (38), sem contar ainda uma possível dupla jornada.
 

Por Arthur Gandini
 

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